3 de set. de 2009

Instituto Carnaúba realiza seminário em Barroquinha - CE, com representantes dos assentamentos de reforma agrária.


O seminário teve o objetivo de sensibilizar e conscientizar os assentados a se comprometerem na retirada da palha da carnaúba dos assentamentos, bem como o esclarecimento de dúvidas sobre a proposta técnica, crédito e comercialização. Sendo realizado no Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – STTR de Barroquinha – CE, contamos com a presença de técnicos do INCRA, representantes do Banco do Nordeste - BNB e técnicos da CAPACIT. Iniciamos com a apresentação institucional da CAPACIT que expôs o objetivo do trabalho com os carnaubais dentro dos assentamentos explicando qual seria a intervenção do instituto carnaúba do referido processo. Com a palavra Osvaldo iniciou sua apresentação resgatando todo o trabalho realizado na semana anterior ao evento dentro dos assentamentos Jatobá, Ilha dos Fernandes, Lagoa do Mato e Carnaúba Furada, mostrou a metodologia das reuniões e os resultados das discussões para então mostrar um documento enviado pelo escritório da CONAB ao instituto Carnaúba com os dados de compra de pó e de cera de carnaúba pelo governo federal, explicando os preços e os projetos da CONAB, Osvaldo enfatiza os orçamentos realizados nas reuniões e convida Eli Briseno para apresentar as planilhas com os orçamentos desenvolvidas nas reuniões com cada assentamento. De ante dos dados tivemos a intervenção da Agente de Desenvolvimento do Banco do Nordeste – BNB, Lúcia Sobreira na busca de entender melhor os dados ali expostos. Os agricultores questionaram sobre suas dividas no banco e como ficaria a situação dos devedores dentro do processo de retirada da palha da carnaúba. De ante da preocupação Daniel Lima, gerente do PRONAF – BNB/Granja, explicou como seria realizada a renegociação das dividas dos assentados e construída uma agenda de visita aos assentamentos para a regularização dos assentados. Surgiu uma nova problemática, a Declaração de Aptidão ao PRONAF – DAP, que é um documento necessário ao crédito, com a dificuldade na emissão do documento pelo INCRA, assim José Valter técnico do INCRA, se comprometeu em enviar ao setor de elaboração da DAP um relatório dos trabalhos ali discutidos e com o pedido de liberação das referidas DAPs.
O Instituto carnaúba saiu da reunião com uma agenda de retorno aos assentamentos para preparação dos planos de trabalho.

Por: Eli Briseno

29 de jul. de 2009

Instituto Carnaúba participa da Reunião da RIS - Rede de Intecambio de Sementes no Assentamento de Morgado - Massapê

Coordenadores/as das casas de sementes associadas a Rede de Intercambio de Sementes - RIS, coordenada pela Cárita diocesana de Sobral, estiveram reunidos no Assentamento de Morgado, município de Massapê, onde comemorou-se a "festa da colheita" realizada nos dias 24 e 25 de julho de 2009. O Instituto Carnaúba se fez presente através do Prof.Osvaldo Aguiar e Eli Briseno, onde fizeram uma apresentação, seguindo de um debate, sobre mudanças climáticas. Além de terem socializados junto aos presentes a proposta de fortalecimento das casas de sementes já existentes no municpio de Santana do Acaraú, bem como, criar casas de sementes nas comunidades onde ainda não foram formadas. Para tanto, o Instituto Carnaúba em parceria com a Instituição Save The Children - Suécia, assinaram um convênio no sentido de apoiar esta iniciativa, já que grande parte dos agricultores familiares perderam suas safras devido as enchentes. Este projeto tem como uma das atividades realizar um curso de agroecologia para esses agricultores em seguida a formação de suas casas de sementes nativas, crioulas, advidas da produção de sementes de outras casas já com capacidade de venda de sementes para outras comunidades. Cada agricultor que participar do curso receberá um quantidade de semente para repôr a que ele perdeu na safra.


27 de ago. de 2008

Criado Conselho do Projeto Rio, Educação e Floresta.

No dia 05 de agosto de 2008, no auditório da casa das ONGs, localizada à rua dr. João do Monte, 917, Centro, Sobral-Ceará, foi realizada a reunião que teve objetivo formar o Conselho Gestor do Projeto Rio, Educação, Floresta e Desenvolvimento Sustentável da Caatinga.
Estiveram presentes participantes dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da região, representantes dos produtores, os que tinham eleitos no ultimo módulo do curso de desenvolvimento sustentável da caatinga, realizados nos municípios que estão participando do projeto (Sobral, Meruoca, Alcântaras, Massapê, Santana do Acaraú, Forquilha, Groaíras, Cariré), além de ONGs parceiras e do Instituto Carnaúba.

Composição do Conselho:
Na discussão para a composição do Conselho Gestor do Rio, Educação, Floresta e Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, foi sugerido e ficou aprovado pelos presentes, que o mesmo fosse composto por:
02 representantes dos agricultores por município,
01 representante do BNB – Banco do Nordeste,
01 representante do IBAMA,
01 representante dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais por cada município,
01 representante do Instituto de Ecologia Social Carnaúba,
01 representante da SEMACE,
01 representante da Cáritas Diocesana de Sobral,
01 representante da Fundação de Saúde e Ação Social – FCIS.

Composição da Coordenação do Conselho:
Foi discutido ainda, a formação de uma coordenação, que fará os encaminhamentos das decisões tomadas nas reuniões do Conselho Gestor, sendo escolhidos os seguintes representantes:

O representante STTR de Santana do Acaraú, tendo como prioridade para o coletivo de mulheres na pessoa de Ana Karine,
O representante do STTR de Sobral,
O representante da Fundação CIS
O representante da Caritas Diocesana de Sobral,
Os Agricultores: José Edvá do município de Forquilha, da comunidade Cacimbinha, Sr. Sebastião do município de Meruoca, da comunidade de Santo Elias
O representante do Instituto Carnaúba.
Por ultimo ficou acertada algumas datas para as próximas reuniões. (agenda)
1. Dia 02 de outubro de 2008, primeira reunião da Coordenação.
2. Dia 16 de outubro de 2008, próxima reunião do Conselho Gestor.
3. Dezembro realização da Assembléia Geral e confraternização de fim de ano.

27 de mai. de 2008

26 de mai. de 2008

Participantes do Curso da Caatinga Visitam Fazenda.


O objetivo da visita foi fazer um reconhecimento da propriedade que está sendo pleiteada (Junto ao Credito Solidário _ BNB) pelo grupo de agricultores que participam do curso “Manejo Sustentável da Caatinga”, promovido pelo INSTITUTO CARNAUBA, financiado pelo FNMA/MMA.

A propriedade foi adquirida pelo empresário Assis Nildes, há mais de 15 anos, eram duas terras que foram juntadas em uma só propriedade, a parte maior pertencia ao Sr. Lourival Fonteles.

Segundo informações do Sr. Augusto, nos documentos da propriedade consta como área de 270 hectares, porém ele acredita que poderá ser um pouco maior.

Existem 03 equipamentos públicos funcionando dentro da terra: Um cemitério administrado pela paróquia da sé, um campo de futebol, e um depósito de controle de LIXO do distrito.

Na visita podemos constatar que a propriedade está em estado de abandono, sendo usada pela população local, para retirada de lenha, estacas para cerca etc. Apenas umas poucas pessoas plantam roçados na propriedade. Foi-nos relatado que o proprietário tomou empréstimo junto ao Banco do Nordeste para plantio de frutas, criação de caprinos e gado. Nenhuma destas atividades prosperou, hoje há apenas um 100 pés de coqueiros, e 30 pés de mangueira. Hoje a divida é muito grande, e já se encontra em vias de execução judicial. A casa sede tem pouco valor, é antiga e as demais instalações não são significativas, sendo constituídas de casa do morador e depósitos.

Encravado no meio da terra há o distrito de Patriarca, em uma terra pertencente à igreja, cujos limites não pudemos apurar com precisão, porém foi nos relatado que é apenas um quadrado, e que hoje existe uma pressão da população por novos terrenos para construção.

O Sr. Assis Nildes usou a propriedade como área para produzir muda de plantas, que vendia para uso na área urbana. Foi o fornecedor de plantas e gramas para diversas Prefeituras do Ceará, quando as encomendas diminuíram abandou á área, para isso plantou diversas espécies exóticas, tais como o ficos, flores, palmeiras etc.

As exóticas precisam que no futuro sejam devidamente manejadas, e substituídas gradativamente por espécies frutíferas.

Pudemos constar ainda um grave ameaça, ocasionado pela invasão das áreas de várzeas pela planta chamada boca de leão. Esta espécie foi trazida ao Brasil como planta ornamental e que hoje virou praga. É uma trepadeira que sufoca as plantas nativas que a cobertura impedindo que estas recebam luz do sol.

Encontramos diversas espécies de plantas, sendo um potencial para a coleta de sementes. Dentre as espécies podemos destacar: Sabiá, Angico, Carnaubeira, Marizeira, Pajeú, Mutamba, Pau D´Arco, Cedro, Sabonete e Pau Branco.

Antigamente havia na propriedade uma barragem que produzia canarana (uma forragem) para o gado, mas como esta arrombou não existe mais o banco de proteína.

Há um grande potencial para colheita de palha de Carnaúba, o potencial não nos foi possível apurar.

A equipe do Instituto destaca alguns pontos:

1. A área pelo seu “abandono” está em descanso há muito tempo, por isso propícia para a implantação de sistemas agroflorestais, em uns 30 hectares.
2. Dá para reconstruir o banco de proteínas para criar animais (gado de leite) em regime de semi-confinamento, em uns 20 hectares.
3. É possível fazer plantio de espécies florestais, tais como sabia, para exploração comercial em aproximadamente 30 hectares da propriedade.
4. A propriedade é pobre de bem-feitorias, poucas edificações, cercas em precárias, não há equipamentos de irrigação, com exceção de canos que vem do rio, que hoje se encontram enterrado, porém de estado duvidoso e uma grande caixa de água no alto, porém sem motor. Por isso o valor da propriedade poderá ser avaliado muito abaixo do valor que o proprietário quer vender.
5. Diante do que foi observado sugere-se que seja procedida uma negociação bastante técnica (profissional) caso o processo chegue a fase de compra.
6. A proximidade com os moradores do distrito (tanto físico quanto familiar), vai gerar uma pressão para que sejam disponibilizados terrenos pelos futuros assentados, para moradia, para broca etc. Deve-se antecipar a pressão, (acionando uma válvula de escape), como por exemplo, um planejamento dá área urbana e uma definição pelo modelo de exploração do futuro assentamento, adotando alguns critérios como o plantio sem fogo etc.

Abaixo anexamos texto de Kátia Vasconcelos com a historia de Patriarca.
Patriarca, antigamente Fazenda São José, constitui-se hoje um distrito pertencente ao Município de Sobral, situado a três léguas (18 km) da sede do Município, na margem direita do Acaraú, constituindo o mais antigo foco de povoação da ribeira do Acaraú.

O Coronel Félix da Cunha Linhares, natural de Portugal, soldado do Forte de Nossa Senhora da Assunção, hoje Fortaleza, foi um dos primeiros habitantes desta terra e quem primeiro fundou este lugar, chegando aqui no final do século XVII; Inicialmente vem à Ribeira do Acaraú em missão de reconhecimento da terra e caça aos índios. Surpreso com a fertilidade das terras dessa região, as quais são banhadas pelo Rio Acaraú, propicias à plantações e criação de rebanhos, Félix da Cunha Linhares logo se mostrou interessado em povoar essas terras desabitadas, pedindo-as em sesmaria. Recebida a sesmaria, fundou a Fazenda São José e construiu uma Capela em honra de Nossa Senhora da Conceição, em 1718. Esta Capela serviu como sede do Curato de toda essa região durante muito tempo (1722-1736).

O Coronel Félix da Cunha Linhares, não possuindo filhos, busca, no Rio Grande do Norte, seu sobrinho Domingos da Cunha Linhares para ajudá-lo na administração da Fazenda. Este, por sua vez, constituiu família e formou os primeiros troncos do povoamento deste lugar.

Desses dois primeiros povoadores, Félix da Cunha Linhares e Domingos da Cunha Linhares, provém os primeiros troncos de família desta Ribeira do Acaraú. Contudo, não apenas eles efetuaram e influenciaram o povoamento, ou seja, o processo de povoamento de São José foi marcado também pela presença de outros sesmeiros, de pessoas ligadas ao lugar por casamentos, como também, de brancos livres de classe baixa, escravos, negros e índios, que na verdade, compunham a maior parte dos habitantes do lugar e arredores.

Hoje, com quase 300 anos de existência, Patriarca, hoje sede de um distrito de Sobral, é lugar de grande importância para a população sobralense, pois é dela que provêm as primeiras famílias desta Ribeira do Acaraú.

Sobral, Maio/2008
Instituto Carnaúba – Sobral – CE

20 de mai. de 2008

Visita do MMA/PNF


O Projeto Rio Educação e Floresta, recebeu no mes de Abril/2008 a visita de técnicos do Ministério do Meio Ambiente, composta da Juliana Napolitano do Fundo Nacional do Meio Ambiente, e Nilton Barcelos, do Programa Nacional de Florestas.

Os dois fizeram uma avaliação da implantação do projeto até o presente. Foram levantadas as dificuldades e avanços do projeto, bem como avaliado a metodologia empregada e as estratégias para a preservação da Caatinga.

Além da reunião com a equipe do projeto foram visitados os produtores familiares do município de Forquilha (Sr. Paulo, Sr. Chico Padre,) e no município de Sobral no distrito de Jordão ( Sr. Antonio Mateus, e Sr. Totonho). No final foi realizado uma reunião com parceiros do projeto, onde estiveram presentes os Professores João Ambrosio e Heráclio Bastos da UVA, além de produtores e lideranças sindicais.

Instituto Carnauba participa da Reunião do CBH-Acaraú


O Instituto Carnaúba, participou no dia 15, no auditório da Receita Federal, em Sobral, da 3ª. reunião extraordinária do Comitê da Bacia do Rio Acaraú, onde foram discutidos diversos temas de interessa da dos 32 municípios da Bacia do Acaraú. O Comitê é composto por usuários, sociedade civil e poder público, na esfera municipal, estadual e federal. O Instituto foi representado por Expedito Torres.

Inicialmente foi apresentado pelo presidente do CBH, Alexandre Bessa a situação hídrica da Bacia do Acaraú, principalmente a recarga dos Açudes da Bacia (ver quadro), sendo considerada muito boa a situação das águas, estando garantido o abastecimento pelos próximos 03 anos, pois alcançou 96,3% carga.

A Bacia do Acaraú é composta por 32 municípios, onde estão construídos 12 açudes de grande porte e administrado pela COGERH, armazenando cerca de 1,4 bilhão de metros cúbicos de água. Sendo uma das bacias em melhor situação no estado do Ceará. Existe porém dois açudes com problema, são eles o Farias de Sousa em Nova Russas com apenas 19,3 % da sua capacidade e o açude Bonito em IPU com apenas 48,5% de sua capacidade. O lado positivo foi a carga recebida pelo açude Forquilha que está com 76,1% de sua capacidade.

Segundo o diretor de Planejamento da COGERH João Lúcio Farias de Oliveira, os comitês de bacias, que no Ceará são 9, vão obter assento no Conselho Estadual dos Recursos Hídricos, ganhando assim maior poder intervenção nas decisões sobre os recursos hídricos. No inicio serão apenas como ouvintes com direito a voz, o voto só quando a assembléia aprovar a alteração na lei estadual de recursos hidricos.

João Lucio também anunciou que os recursos para elaboração dos planos de bacia, incluindo o do acaraú, já estão garantidos para 2008. Os recursos são estimados em 400 mil reais, sendo que em breve será licitado, após a realização de um seminário onde se definirá os critérios do Termo de Referencia.

Outro assunto tratado na Reunião foi a criação de Comissões Gestoras em cada açude. Assim será possível que a comunidade participe mais efetivamente das decisões.

17 de dez. de 2007

PROJETO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA CAATINGA


O Projeto Rio, Educação, Floresta e Desenvolvimento Sustentável estar sendo realizado pelo Instituto de Ecologia Social Carnaúba com a parceria do Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA, Ministério do Meio Ambiente, Governo Federal. Para melhor compreensão e entendimento do público trabalhado, intitulamos o projeto como: PROJETO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA CAATINGA.

O Projeto tem atuação em 08 municípios: Sobral, Meruoca, Alcântaras, Forquilha, Cariré, Groairas, Santana do Acaraú, Massapé. Iniciamos as atividades deste projeto na realização de oito “Seminários Desenvolvimento Sustentável da Caatinga” um por município trabalhado pelo projeto. Os mesmos foram realizados nas sedes dos Sindicatos do Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais o qual tivemos como parceiros na realização dos seminários. Obtivemos ainda, a participação do dr. João Ambrósio Araújo Filho (Pesquisador da EMBRAPA e Prof. Da Universidade Estadual Vale do Acaraú) que realizou palestra em todos os seminários.

Nos seminários identificamos os agricultores familiares que iriam participar do projeto. A partir da ir, já íamos formando as turmas para participarem dos cursos que serão desenvolvidos pelo projeto.

Os cursos estão sendo realizados no Centro de Treinamento da Meruoca, cada curso como uma carga horária de 20 h/a. Três cursos já foram realizados: 1)Curso em Agrofloresta e Manejo Sustentável de Áreas Nativas e Reflorestamento. 2)Curso de Capacitação em Manejo Florestal com ênfase na Caatinga. 3) Curso de Capacitação em Legislação Ambiental Auto-Avaliação de suas Propriedades e as medidas Saneadoras.

O Curso é composto por aulas teóricas e práticas. Como a turma é formada por agricultores/as da Serra e do Sertão, estamos trabalhando com possibilidades agrícolas para os dois ambientes. Para tal, a turma já esteve visitando a comunidade Santo Elias na Meruoca, conhecendo o trabalho desenvolvido pelas famílias em implantação de Sistemas Agroflorestais. Realizou uma aula de campo na EMBRAPA, estudando a experiência do dr. João Ambrósio em Manejo Sustentável para a Caatinga, com a prática em Sistemas Agrossilvopastoril, há dez anos em desenvolvimento, implantado (na Fazenda Crioula) na área da EMBRAPA CAPRINOS na Cidade de Sobral. Visita técnica ao roçado ecológico na comunidade poço salgado, Assentamento Conceição Bomfim – Santana do Acaraú.

12 de dez. de 2007

ENCONTRO DOS EX-ALUNOS DO CURSO DE MULTIPLICADORES


O ano de 2007 se aproxima de seu final. E como acontece todo ano, chega a hora de desejar a todos um feliz natal e próspero ano novo. Porém, para nós gente do semi-árido é hora de olhar para o céu, de olhar as nuvens, e desejar que chova em abundância enchendo açudes e cisternas.

Porém é hora de planejar as atividades do ano que vem. E dentre as atividades a serem incluídas no planejamento está o “ENCONTRO DOS ALUNOS DO CURSO DE MULTIPLICADORES EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS” no dia 08/02/2008.

O ultimo encontro da turma aconteceu em 08/02/2007, no Centro de Treinamento da Meruoca. E neste ultimo encontro discutimos Sócio Economia Solidária, fizemos um levantamento das dificuldades encontradas em atuar, o problema da terra, a dificuldade de coletar sementes nativas, a incompreensão da população, a falta de recursos financeiros etc.

Portanto convocamos à todos para interagir na rede, via comunidades de relacionamentos, lista de discussão, para construímos uma proposta de encontro. Precisamos definir a pauta, tema do encontro, viabilidade econômica etc.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO.

PROPOSTA:
Data: 08/02/2008
Local: Centro de Treinamento da Meruoca.

Abraço a TODOS!!!!

26 de nov. de 2007

INSTITUTO CARNAUBA MOBILIZA 450 PRODUTORES PARA O PROJETO RIO, EDUCAÇÃO E FLORESTA


O projeto Rio, Educação e Floresta busca o Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, têm como objetivo capacitar e acompanhar 240 Produtores da Agricultura Familiar na implantação de Sistemas Agroflorestais, em 04 anos, nos municípios de Cariré, Groaíras, Forquilha, Sobral, Massapê, Alcântara e Meruoca. É financiado pelo FNMA- Fundo Nacional do Meio Ambiente, do Ministério do Ambiente e executado pelo Instituto de Ecologia Social Carnaúba.

Como estratégia de mobilização e sensibilização dos produtores, realizou-se 08 Seminários, sendo 01 por município, com o objetivo de expor as propostas do projeto.

A realização dos seminários em sua maioria aconteceu na sede dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. Em Sobral aconteceu no Auditório Dom Walfrido, e o de Meruoca no Centro de Treinamento da Diocese. No total participaram 448 pessoas nos 08 seminários.

Na primeira parte dos seminários aconteceram a palestra Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, proferida pelo Dr. João Ambrósio Araújo Filho, ex-pesquisador da EMBRAPA CAPRINOS, e professor do Curso de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú. O professor Ambrósio é reconhecido por suas pesquisas na área de manejo da caatinga, sendo considerado um dos profissionais com maior experiência em manejo agrosilvopastoril.

Nas palestras o professor Ambrósio aborda a situação de degradação atual do Bioma Caatinga, mostrando dados das perdas de solo, a diminuição da pluviosidade, a erosão da fauna e flora, ou seja, como o bioma caatinga se encontra hoje na realidade.

Para o professor Ambrosio, “ na estrutura fundiária dos sertões nordestinos coexistem os dois extremos de sua perversidade: de um lado o latifúndio improdutivo, do outro o minifúndio degradado e em decadência produtiva. O segundo caso, embora abarque a vasta maioria dos produtores, cobre baixo percentual das terras. Ele detém o grosso dos rebanhos bovino, ovino e caprino e é responsável direto por cerca de 60% da produção do que colocamos em nossa mesa. Porém, a necessidade de produzir o seu sustento leva esses agricultores a explorar sistemas de produção que pressionam os recursos naturais renováveis além de sua tolerância ecológica, induzindo assim processos degradativos dos ecossistemas da caatinga, com perdas da solo pela erosão, da biodiversidade da fauna e da flora pelo extrativismo predatório e declínio da produção agrícola e pastoril a níveis incompatíveis com a geração de uma renda sustentável. Os dados atuais, em condições favoráveis de chuvas, são de 400 kg de grãos 2,8 kg de carne e 3,5 estéreos de madeira por hectare e por ano!”

Ainda segundo professor Ambrosio “Configura-se, pois um quadro de urgência da busca de alternativas de sistemas de produção que respondam pelo incremento da renda e pela redução dos processos degradativos e recuperação dos ecossistemas. Neste contexto, a exemplo do vem ocorrendo em outras partes do mundo com problemas idênticos, a opção pelos sistemas de produção agroflorestais apresenta-se como, possivelmente, a melhor alternativa. Esses sistemas agrícolas baseiam-se no uso de processos de produção de baixo impacto e que modelam o campo de produção agrícola nos moldes dos ecossistemas naturais, no que tange à manutenção dos ciclos geobioquímicos fechados, preservando as árvores, como garantia da circulação de nutrientes e reduzindo ao máximo a dependência de insumos externos, ou seja, tornando-os sustentáveis”

O assunto chamou a atenção dos produtores, pois na apresentação puderam visualizar os efeitos das práticas extrativistas do uso do fogo e pesticidas. Alguns relataram que nas épocas dos seus avós e pais era possível ver árvores e animais silvestres que hoje já não se ver. A identificação com as situações é imediata.

Em seguida o projeto Rio, Educação e Floresta é apresentado aos produtores, onde são apresentado as metas e atividades previstas para os 4 anos. Após a apresentação os produtores esclarecem duvidas, e então são chamados a aderir ou não ao projeto.

O publico atendido nos seminários foram bastante variados, com participação de homens e mulheres agricultores. Chama à atenção a presença marcante em todos os municípios de agricultores sem terra, que trabalham nas terras de terceiros, representando um limitante para o projeto, pois muitos destes proprietários não têm compromisso com o meio ambiente.

A vontade de trabalhar a agroecologia é marcante nesses agricultores, porém, a falta da terra compromete o interesse, pois não podem plantar arvores para produção de frutas e madeira, por conta de que os proprietários não permitem com receio que um dia venha a indenizações e perda da terra para os agricultores.

A situação os deixa preocupados, pois segundo os produtores as práticas do fogo e a extração de madeira não têm previsão para parar. E o tempo em que haverá muita fome e sede chegará, e a busca por comida e terra será com grande luta. Segundo a opinião de muitos não estar longe de acontecer, pois hoje a baixa produção e a falta d’água já castiga e compromete a vida dos agricultores/as e seus filhos.

Com o debate nos seminários concluímos que a luta pela terra ainda não é uma questão resolvida em nossa região; que parte dos sindicatos e os agricultores organizados estão sensibilizados para a preservação do meio ambiente. Mas em terras alheias não se faz agricultora sustentável, nem tão pouco reflorestamento.